Murilo Lopes Benites, 34 anos, brasileiro de Maringá (PR), atualmente morando em São Paulo (SP). Formado em Comunicação Social (Jornalismo) e em História. Mais de 10 anos de experiência , tendo nos últimos anos me especializado em marketing, publicidade, redação e jornalismo online.

Neste site, o meu portfólio online, você pode encontrar uma seleção das minhas produções, além de outras informações sobre mim.

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Miscelânea Musical

Diversidade de estilos marca a quinta edição do Acorde Universitário - Festival Universitário de Música Popular Brasileira de Maringá 

Por Murilo Benites

Do forró ao samba, do maracatu ao blues, do sertanejo de raiz ao rock... Todos os estilos juntos, misturados e celebrados em um mesmo evento: o Acorde Universitário - Festival Universitário de Música Popular Brasileira de Maringá. Realizado entre os dias 2 e 4 de novembro, e chegando, neste ano, à sua quinta edição, o festival, promovido pela UEM, mais uma vez se caracterizou pela combinação harmônica das mais diversas vertentes musicais.

“Isso é muito rico! Este ano teve de tudo e foram músicas muito bacanas! Fiquei realmente animado de estar participando. O Brasil é feito da mistura, não tem jeito! É sensacional ver todo mundo curtindo as músicas de outros estilos, sabe?” A afirmação vem do vencedor da edição de 2012, Marcel “Magrão” Duarte, 23, graduando do curso de Arquitetura e Urbanismo da UEM. Para Magrão, o festival é um espaço importante para os músicos da comunidade acadêmica. Enéas Ramos, diretor de Cultura da UEM e organizador do Acorde Universitário, afirma que esse é justamente o intuito do evento. “Acredito que seja o ponto mais positivo e a principal característica do festival. Dentro das universidades, existe muita coisa boa, que foge daquilo que a mídia impõe, e que deve ser incentivada”, defende.

Realizada na Oficina de Teatro da UEM, a quinta edição do Acorde Universitário contou com duas eliminatórias, nos dias 2 e 3 de novembro. As quinze canções com maior pontuação, levando-se em conta as duas eliminatórias, foram classificadas para a grande final, no dia 4 de novembro. Uma comissão, composta por cinco jurados, atribuiu notas e definiu os vencedores nas diferentes categorias (melhor letra, melhor intérprete, melhor arranjo e música cidadã, além dos três primeiros lugares gerais). Foram entregues troféus, DVDs e CDs do festival para o vencedores. Cerca de 400 pessoas prestigiaram o evento.

Enéas Ramos adianta que a próxima edição do festival, no ano que vem, buscará uma participação ainda maior da comunidade acadêmica: “estamos avaliando os pontos positivos e negativos da edição deste ano, para que na próxima possamos fazer um festival ainda melhor.”.

Prosa de Sarjeta

Marcel Duarte conta que a canção vencedora, Prosa de Sarjeta, de sua autoria, trata de uma conversa no meio da calçada da cidade grande, onde se encontram o recém chegado homem do campo e o diabo. “A ideia foi transmitir o sentimento, o tom da fala de cada personagem, por meio de diferentes ritmos. Por isso a música ficou com duas partes bem distintas. A primeira parte, do homem do campo, puxa mais pro baião enquanto a segunda parte, do diabo, eu fiz questão de que fosse maracatu. Dois ritmos de gente pobre, simples e guerreira”, explica.

Estreante em palcos e festivais, Magrão não havia sequer mostrado suas composições para ninguém antes. “De repente eu estava lá no palco, gritando pra todo mundo ouvir!”, conta, bem humorado. Segundo ele, a falta de experiência também fez parte do processo de composição: “Além de não ter muita noção pra fazer isso, eu queria que fosse feito em conjunto. Então, convidei alguns amigos (uns com mais experiência musical, outros com tanta experiência quanto eu), mostrei o som pra eles e pedi que me ajudassem. O som foi crescendo, todo mundo pirou na música, cada um dando uma ideia diferente, a coisa foi fluindo de uma maneira fantástica! Sou muito grato a cada um que participou desse processo e tenho certeza de que foi fundamental.”.

O grupo acabou ganhando o nome de “Magrão e os Menine”, e a vitória, já na estréia, acabou despertando a possibilidade de uma carreira musical. “A ideia, com certeza, é tentadora! Seria maravilhoso! Mas não é tão simples assim. Não é ‘escrevi uma música, ganhei um festival, vou ser músico!’. Eu ainda pretendo me tornar um arquiteto, mas viajar por aí fazendo shows também me parece um bom plano de vida, e eu sei que tem alguns dos ‘menine’ muito interessados em continuar o projeto. Então... quem sabe?”.

1º lugar: PROSA DE SARJETA 
Marcel Duarte (MAGRÃO E OS MENINE)

2º lugar: SONHO DE UMA VIDA FABULOSA  Mari Tenório (GRUPO HURACAN)

3º lugar: GALOPE  
Mauro Ravagnani (TRIO MAGUJÉ)

Melhor letra: TENTATIVA Và 
Valter Rossini (GRUPO SOLLADO)
Melhor intérprete: CANTIGA URBANA 
Aline S. Luz e Camila S. Luz (ALINE LUZ)
Melhor arranjo: BLUES DOS PÁSSAROS  
Hiran Z. Moreira (BANDA RITMOSTATO)
Música cidadã: MORALISTAS BARATOS  
João V.Cruzoletto (JOÃO VITOR CRUZOLETTO)

Projeto exalta cultura afro-brasileira

Proposta é estudar aspectos representados em obras de artistas clássicos

Por Murilo Benites

O Museu da Bacia do Paraná (MBP) da UEM recebeu professores da Rede Estadual de Ensino Básico para participarem das atividades de encerramento das 7ª Primavera de Museus. O evento, realizado em outubro, em sincronia em todo o Brasil, sob a liderança do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), teve como temática as manifestações da cultura afro-brasileira.

Por aqui, foi denvolvida uma oficina, intitulada Cultura Afro-brasileira: fronteiras e espaços multiplicadores, oferecida pela mestranda do Programa de Pós-Graduação em História (PPH), Mariane Pimentel Tutui. Durante o evento, os professores da rede Estadual e Municipal de Maringá puderam conhecer mais sobre a obra do artista francês Jean-Baptiste Debret, cujas aquarelas, segundo Mariane, “pintaram o dia-a-dia dos escravos no Rio de Janeiro e em outros lugares do Brasil, entre 1816 e 1834”.

A oficina foi realizada como parte integrante de um projeto de cooperação ampla, em desenvolvimento na UEM, por meio do Museu da Bacia e no Centro de Estudos das Artes e Patrimônio (CEAPAC) da Universidade. A pesquisa, encabeçada pela professora do Departamento de História (DHI), Sandra Pelegrini, dedica-se a estudar obras e artistas clássicos que representaram, ao longo da história, as tradições e a cultura afro-brasileira, e repassar esse conhecimento para a comunidade, em forma de oficinas e exposições itinerantes, com o apoio da Caixa Econômica Federal.


Etnias

Segundo a professora, o estudo aprofundado dessas obras e artistas é uma parte fundamental na busca de uma “autêntica identidade nacional”. Sandra lembra que a cultura brasileira é fruto do hibridismo de várias etnias, e que, “por meio desse material histórico são ‘descobertos’ sujeitos e aspectos que foram fundamentais para formação da nossa sociedade”.

Entre os artistas estudados estão Heitor dos Prazeres, Djanira da Motta e Silva, Carybé, Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral, Cândido Portinari e Cícero Dias, além de artistas paranaenses, que retrataram em diferentes momentos históricos as atividades dos negros em seu cotidiano. “A cultura afro aparece como centro dos interesses desses artistas. Seus costumes, modos de viver e sociabilidades, seu trabalho e religiosidade, suas festas e formas de lazer, sua força e sensualidade, foram vistos como fonte de inspiração”, relata Sandra.

No projeto, são realizados estudos sobre o histórico da vida dos artistas e sua respectiva formação, análises semióticas das obras, exercícios de releituras das obras e metodologias didático-pedagógicas relativas a historia visual das artes. Segundo a professora, “ainda são analisadas manifestações, como a capoeira, o jongo, a congada, o carnaval, tambor de crioula, samba tradicional e celebrações que, inclusive, são reconhecidas como patrimônio imaterial brasileiro pela Unesco, entre outros saberes e práticas populares”.

A metodologia utilizada e os resultados dos estudos são repassados aos professores do Ensino Básico, por meio das oficinas, para que, posteriormente sejam incorporados em suas aulas. Com isso, “os professores poderão evidenciar aos alunos a contribuição dos afro-descendentes para a formação da cultura tradicional popular e a desconstrução dos mitos que se criaram em torno das religiosidades e costumes que permanecem vivos na sociedade atual, além da valorização do patrimônio histórico e ambiental”, explica a professora.

Nos próximos meses, o projeto do MBP e CEAPAC continuará oferecendo oficinas e exposições itinerantes sobre a cultura afro-brasileira para comunidade, e segundo Sandra, deverá expandir ainda mais suas atividades. “Além de outros grupos de estudo da Universidade, convidamos os pesquisadores do Núcleo de Estudos Interdisciplinares Afro-Brasileiros (Neiab) da UEM para colaborarem”, conta. O objetivo é, futuramente, organizar arqueologias da arte afro existente na região, além de confeccionar pôsteres para as exposições itinerantes.

O desafio da inclusão social

Por Murilo Benites

Com origem no começo do século 20, o esporte adaptado para deficientes tornou-se um importante veículo de inclusão social, aprimorando as habilidades físicas e motoras das pessoas com deficiência, deixando-as mais independentes para a realização de atividades do dia-a-dia e aumentando a auto-estima.

Além da comprovada importância social, a prática desportiva para deficientes passou a adquirir grande relevância no âmbito profissional. São torneios de alto rendimento, nos quais se enfatizam as conquistas e a competição, mais do que as deficiências de seus participantes. Prova do crescimento dessa prática são os Jogos Paralímpicos, que, na edição deste ano, em Londres, bateram o recorde de participantes, com 4.200 atletas de 166 países.

Com o objetivo de fomentar o paradesporto, tanto como ferramenta de inclusão, como para a garimpagem de novos talentos, foi criada, no ano passado, a União Metropolitana Paradesportiva de Maringá (UMPM), que oferece condições para que seus atletas se destaquem nas competições municipais, estaduais, nacionais e internacionais. Todas as atividades desenvolvidas pela UMPM são realizadas em conjunto com o Departamento de Educação Física (DEF) da UEM, onde o professor Decio Roberto Calegari desenvolve o Programa de Atividade Física Adaptada (PROAFA). De acordo com o professor, a função do Programa é oferecer todo o suporte de estrutura física necessário para a prática dos esportes adaptados, além de envolver acadêmicos, que colaboram nas práticas desportivas.

Projeto

A UMPM passou a contar, em março desse ano, com o Projeto Clube Escolar Paralímpico, que dá ênfase à iniciação esportiva de crianças e adolescentes, de 6 a 21 anos, de Maringá e região. De acordo com Mariana Piculli, coordenadora do projeto e secretária da UMPM, o projeto, que é mantido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), tem como objetivo promover o fomento e o desenvolvimento esportivo escolar dos futuros atletas paralímpicos do país.

A coordenadora do Clube Escolar explica que são desenvolvidas as modalidades: bocha, futebol de cinco, futebol de sete, goalball, natação, petra, polybat e tênis em cadeiras de rodas e de mesa. Segundo ela, a ideia é dar oportunidade para o maior número de crianças possível, visando à continuidade das equipes profissionais da UMPM e o desenvolvimento físico e motor dos jovens atletas, sem esquecer da inclusão social.

O Clube Escolar também costuma promover gincanas, em que são desenvolvidas atividades recreativas que lembram os esportes adaptados, mas sem competição. O intuito, além de oferecer um dia divertido e descontraído para as crianças, pais e amigos, é encontrar novos talentos em potencial.

Na última gincana, realizada em julho, na quadra do bloco M-7 da UEM, um atlético e animado Valdir André da Silva Júnior, de 20 anos, mostrava destreza em todas as atividades propostas. Portador de Síndrome de Down, e tendo a natação como especialidade, Valdir está há dois meses no Clube Escolar. O atleta, que já conquistou medalhas em competições escolares, possui boas habilidades físicas e motoras, pois, segundo a mãe, Carmem da Silva, pratica exercícios desde pequeno. “O envolvimento do Valdir com o esporte, com certeza foi fundamental no processo de desenvolvimento dele”, afirma. 

Esporte paralímpico no Brasil

O paradesporto é uma presença constante dentro das universidades, onde são desenvolvidos trabalhos específicos de extensão, como o da UEM, voltados aos portadores de deficiência. De acordo com o professor Décio Calegari, isso, aliado a uma gestão eficiente do Comitê Paralímpico Brasileiro, fez o paradesporto nacional evoluir, a ponto de figurar entre as dez principais potências paralímpicas mundiais.

Para o professor, o que falta é divulgação. “Precisamos que nossos valores sejam vistos. Mesmo com a qualidade do trabalho, é necessário que as pessoas enxerguem que existe o esporte paralímpico, para que ele sirva de exemplo e inspiração para outras pessoas”, afirma.

Segundo Décio Calegari, apesar de não ter como foco único o rendimento, o Clube Escolar tem como função justamente trazer a criança com deficiência para o esporte, já pensando na renovação de talentos. “O Clube acaba estimulando a pratica do esporte, e nisso você acaba identificando quem leva jeito e pode, futuramente, disputar competições paralímpicas”, explica.

Expo de “Nevermind” em Londres. A gente esteve lá.

Por Murilo Benites

24 de setembro, 1991. Chega às prateleiras o segundo álbum do Nirvana, um tal Nevermind. Disco que botou o rock de novo nas rádios, que o levou de volta ao topo das paradas, que fez o mundo vestir flanelas com orgulho. Uma coleção de músicas que colocaram Seattle no mapa sonoro, abriram as portas para Pearl Jam, Soundgarden, Alice in Chains e para a última grande revolução da música: o grunge.
 
24 de setembro, 2011. Nevermind sopra as velinhas, completa 20 anos. Aqui em Londres, a um oceano de distância da Seattle de Kurt Cobain, o aniversário ganha um parabéns todo especial com “In Bloom: The Nirvana Nevermind Exhibition”.
 
Não faz muito que fiquei sabendo da exposição. Ela comemora os vinte anos do lançamento do clássico disco em meio a galerias de arte, lojas vintage, de discos, instrumentos musicais e peças colecionáveis. Em Brick Lane, rua moderninha ao leste de Londres. Uma breve consulta na internet, um amigo fã de Nirvana como companhia e Loading Bay Gallery here I go.
 
Descemos do metrô na movimentada estação de Liverpool Street, próxima a um dos maiores centros empresariais de Londres e do 30 St. Mary Axe, o famoso prédio em forma de bala (que, na verdade, nem parece muito uma bala). Na medida em que caminhávamos em direção a Brick Lane, os ternos e gravatas iam dando lugar a roupas mais cool. Saem os business man, entram os hipsters. Por conta das inúmeras ruelas que circundam a região – e que, pelo visto, vão além da compreensão do Google Maps -, rodei por um tempo. Perdido. Até me dar conta de que a exposição estava situada bem em frente à Rough Trade Records, a loja de discos da lendária gravadora londrina.

Na fachada da galeria, um grande pôster com a famosa capa de Nevermind (aquela do bebê nadando atrás de uma nota de dólar). Lá dentro, o som ambiente era um Nirvana e sua versão para “Jesus Doesn’t Want Me for a Sunbeam”, do Vaselines. Nas paredes, pilares e escadas, trechos de letras de músicas.
 
Estávamos entre os primeiros visitantes do dia e, após uma olhada geral, a primeira impressão foi de que há muito espaço pra pouca coisa. Apesar disso, a exibição traz algumas peças interessantes, como um pedaço do braço de uma das tantas guitarras quebradas por Kurt Cobain, um agasalho usado por ele em um ensaio para a revista Melody Maker e ingressos para apresentações da banda entre 30 de março e 4 de abril de 1994, véspera da morte de Kurt. Além dessas pequenas raridades, as mais observadas pelos fãs, alguns displays interativos. Em um deles, várias televisões exibem vídeos do Nirvana, cada uma delas com um fone de ouvido pra quem quiser curtir. Em outro, uma tela mostra em tempo real fotos enviadas por fãs via Instagram. Há ainda dois computadores disponibilizados pela Spotify, com uma lista grande de músicas que influenciaram o grupo. Aproveitei pra ouvir algumas coisas de bandas como Rites of Spring, The Raincoats, Scratch Acid e Swans.
 
Os outros itens que complementam a exibição são dezenas de fotografias (algumas inéditas) tiradas por Steve Gullick, Steven Duplo e Martyn Goodacre, discos, cartazes, revistas e memorabilia do grupo. Tudo reunido pela curadoria da mostra com a contribuição de fãs. Também foi montada uma réplica do set up do palco de uma apresentação realizada por Kurt e cia em 1991, no Paramount Theatre, em Seattle, a única do Nirvana filmada em película – muito em breve, será lançada na íntegra em DVD e Blu-ray. Apesar de visualmente bonito, estranhei um pouco a ideia. Não são os instrumentos originais, e sim réplicas da bateria Gretsch e da guitarra Fender.
 
O som ambiente, à essa altura, tocava “Smells Like Teen Spirit”, muito mais alto no fundo da galeria. Em um quartinho escuro, veja só, era transmitida a tal apresentação no Paramount Theatre prestes a ser lançada. Assisti às performances de “About a Girl”, “Polly”, “Breed”, “Sliver” e “Love Buzz”. Ao sair de lá, percebi um aumento no número de visitantes – de gente que, nos anos 90, provavelmente tinha os mesmos cabelos sem lavar, camisas de flanela e calças rasgadas de Kurt Cobain, Krist Novoselic e Dave Grohl a outros tantos que nem era nascidos quando Nevermind foi lançado.
 
Deixamos a Loading Bay Gallery, pensando e conversando sobre o que tinhamos visto e ouvido. A impressão é que, bem mais do que uma homenagem ao Nirvana e ao seu álbum mais importante, “In Bloom: The Nirvana Nevermind Exhibition” foi montada estrategicamente com o intuito (meio mascarado, ou nem tanto) de funcionar como ação de marketing para os lançamentos comemorativos que estão por vir: uma versão deluxe do disco e o DVD ao vivo. A grande sacada, talvez, tenha sido a escolha do Reino Unido para realizar tal mostra. Um dos lugares em que mais se consome CDs e DVDs em um mundo que busca, há 20 anos, algo tão marcante quanto Nevermind.



















Energia para a posteridade

Por Murilo Benites
 
“Sustentabilidade” é a palavra do momento. As chamadas atitudes sustentáveis são cada vez mais debatidas e estimuladas e a cada dia surgem novas ideias e maneiras criativas de tentar diminuir o impacto causado pelo homem no meio-ambiente.

Para algo ser considerado sustentável, deve, obrigatoriamente, ser ecologicamente correto e economicamente viável. Sendo assim, por que não começar com atitudes de sustentabilidade dentro dos nossos próprios lares?
 
Hoje, já existem pessoas que buscam isso se livrando completamente do sistema convencional de abastecimento em suas casas, tentando reduzir as emissões de carbono e deixar de utilizar os combustíveis fósseis. Os motivos são, é claro, a economia e a preocupação com o meio-ambiente.
Atualmente já existem milhares de casas no mundo com suprimento independente de energia ou que utilizam apenas energia solar e eólica. Alguns até decidem ter o próprio abastecimento de água e esgoto, cavando poços ou usando reservatórios para a coleta de água. O esgoto é cuidado por um tanque séptico.
 
 
Soluções sustentáveis para o lar
 
Mas, transformar a casa em um lugar completamente autossuficiente ainda pode ser menos prático e mais caro do que a maioria das pessoas gostaria. Portanto, separamos algumas dicas mais acessíveis, simples e ecologicamente corretas de planejamento e administração domésticos.
 
Painel solar
 
Considerada o carro chefe de uma casa ecologicamente correta, a utilização dos raios solares vai muito além do banho quente. Os painéis solares são capazes de converter a energia da luz do sol em energia elétrica, que pode ser utilizada para as mais diversas finalidades, poupando a energia elétrica convencional. Hoje, já é possível encontrar painéis solares mais baratos e de igual eficiência.
 
Paredes sustentáveis e mais baratas
 
Na hora de levantar as paredes da sua casa, é mais vantajosa a escolha de materiais sem compostos orgânicos voláteis, isto é, que evaporam e fazem mal a atmosfera terrestre. Tais compostos são achados em tintas, químicos, verniz e cola. Se possível, escolha produtos com solvente a base de água, como a tinta de cal, que polui menos e é até mais barata.
 
Janelas estrategicamente posicionadas
 
Ter um monte de janelas em casa nem sempre significa aproveitar tudo que elas podem oferecer. A localização de cada uma delas deve ser bem planejada, de modo a aproveitar a ventilação e a luz natural.
 
Ecotelhado
 
De estética agradável e custando basicamente o mesmo que os telhados convencionais, o chamado ecotelhado é quase como ter um jardim em cima da sua casa. Nele são utilizadas plantas de porte baixo, que não precisam ser podadas e requerem pouca água. Enquanto os outros telhados acumulam o calor, o “telhado verde” dissipa ou consome a energia do sol naturalmente, deixando o seu lar mais fresco e evitando gastos com ar-condicionado.
 
Reutilização da água da chuva
 
Sistemas simples e algumas vezes até caseiros podem recolher a água da chuva do telhado pela calha e a armazenar em recipientes. Assim, o conteúdo pode ser utilizado para tarefas em que não se exige água potável, como lavar o chão da cozinha ou a calçada, por exemplo.
 
Chuveiro conectado à privada
 
No planejamento do encanamento de uma casa ou apartamento, é possível fazer com que a água escoada no chuveiro durante o banho sirva para abastecer a descarga do vaso sanitário. Uma solução simples para evitar o desperdício de água potável.
 
Vaso sanitário mais econômico
 
Se não for possível conectar o vaso sanitário ao chuveiro, é mais recomendada a escolha de um vaso de seis litros, que gasta menos água e tem a mesma eficiência dos convencionais, de doze litros.
 
Lâmpadas fluorescentes
 
Por serem um pouco mais caras, elas ainda encontram certa resistência. No entanto, as lâmpadas fluorescentes podem ser até 80% mais econômicas do que as incandescentes comuns e costumam durar até dez vezes mais. É algo para se pensar na hora de planejar a iluminação da sua casa.
 
Eletrodomésticos mais eficientes
 
Os mais antigos costumam consumir muito mais energia, portanto, prefira os mais atuais. Hoje, existe até um selo de qualidade, chamado Procel, que comprova a eficiência energética do eletrodoméstico.
 
 
O que você pode fazer em casa
 
Adotar os padrões de uma casa sustentável não exime você de suas responsabilidades. De nada adianta a sua casa ser ecologicamente correta se as pessoas que moram nela ainda mantêm os velhos maus hábitos. Ações que você já está cansado de ouvir falar, como separar o lixo, fechar a torneira enquanto está escovando os dentes ou lavando a louça, reutilizar materiais e não deixar a porta da geladeira aberta são extremamente simples, úteis e econômicas.
 
Outra boa ideia é o controverso xixi no banho. A Fundação SOS Mata Atlântica viu nessa ideia uma maneira simples de economizar água potável (uma descarga representa até 12 litros, somando 4380 litros por ano). A nossa urina é 95% composta de água e 5% de substâncias como ureia e sal. Xixi no banho não transmite doenças e não é nojento.
 
É até clichê dizer, mas vale lembrar: hábitos como esses, somados a adaptação da sua casa para um nível mais sustentável, colaboram muito com o meio ambiente e, de quebra, diminuem bastante a sua conta no fim do mês. Então, por que não?


A um clique do bem-estar

Por Murilo Benites

Você entra em casa depois de um longo dia de trabalho. As luzes se acendem e as cortinas e janelas se abrem automaticamente com a sua presença, a televisão é ligada no seu canal favorito e a sua banheira está cheia e na temperatura certa, te esperando para que você possa relaxar. Há alguns anos tudo isso parecia impensável ou alguma cena de um episódio do clássico desenho futurista “Os Jetsons”. Mas, já não é preciso esperar muito mais tempo para contar com todas essas praticidades em sua própria casa. Basta estar disposto a desembolsar algum dinheiro...

A chamada automação residencial, que hoje até já possui o nome próprio de “domótica” (robótica doméstica), é um conjunto de tecnologias que auxilia nos aspectos relacionados ao lar e nas tarefas domésticas do dia-a-dia. Esse conceito vem conquistando espaço no mercado, devido a sua praticidade e segurança, associadas ainda ao menor consumo de energia. O intuito é aliar os benefícios dos meios eletrônicos aos da informática, gerindo de forma integrada os diferentes equipamentos adotados em uma residência.

Sensores de movimento, portões automáticos e câmeras de vigilância já eram uma realidade em centros comerciais e acabaram gradativamente sendo adaptados para as casas e apartamentos. Máquinas como a de lavar louça e roupa também já são comuns há tempos em muitas moradias. Todos não deixaram de ser funcionais, mas, hoje, já são vistos apenas como acessórios e até como pré-requisito em uma habitação. Agora, mais do que isso, o que as pessoas buscam ao planejarem seus lares são opções que facilitem ainda mais as tarefas diárias e as garantam conforto, qualidade e tranquilidade.

Opções essas como a praticidade de administrar e aproveitar a piscina da sua casa sem precisar ficar horas a limpando e tratando manualmente, sendo necessário apenas programar o horário e ativar o sistema de filtração e de aquecimento. O complexo de irrigação do jardim também pode ser ativado automaticamente, regando as suas plantas de forma mais eficaz e em menos tempo, economizando água. Outra possibilidade são janelas capazes de identificar se está chovendo ou não, para que, caso você as tenha esquecido abertas, elas se fechem sozinhas.

Isso é apenas para citar apenas alguns exemplos, já que atualmente são muito diversificadas e criativas as opções de praticidade oferecidas pela domótica, todas planejadas com o intuito de tornar as coisas mais fáceis para você no seu lar. As inovações vão de controles de home-theater, iluminação, som ambiente e climatização a apetrechos inteligentes de segurança.

Reunir toda essa tecnologia na sua casa ou apartamento pode soar complicado, mas uma das características da domótica é também a autenticidade dos dispositivos adotados na residência. Uma vez previamente configuradas as suas preferências, os dispositivos passarão a funcionar automaticamente, de acordo com elas. Já se pode, por exemplo, ter diferentes tipos de iluminação na sua sala, para diferentes ocasiões, do jeito que você escolheu anteriormente, bem como uma temperatura ambiente na sua casa ou apartamento, de acordo com o seu gosto e capaz de se adequar ao clima exterior.

O mais comum na automação residencial é que haja uma integração entre todos esses dispositivos, sendo possível controla-los por meio de um único gerenciador central, que pode ser instalado dentro da sua própria casa. É possível também possuir esse gerenciador no seu computador ou até mesmo no seu celular. Assim, você confere suas câmeras de segurança em tempo real de qualquer lugar, além de ver se deixou a luz do banheiro ou a televisão ligadas (e até desliga-las se necessário). Pelo computador ou celular, também já é possível configurar e agendar tarefas para que elas sejam realizadas exatamente quando você precisar.

Adotar todas essas praticidades algumas vezes pode ser considerado um caminho rumo ao sedentarismo. No entanto, o propósito da domótica não é esse, mas sim aperfeiçoar as tarefas e economizar o seu tempo para que você possa se ocupar com atividades que realmente necessitem do seu esforço ou apenas para que você possa fazer coisas que lhe agradem, como descansar e relaxar (algo que hoje está cada vez mais difícil).

A domótica já é uma realidade, cabendo a cada pessoa saber escolher de que forma utilizá-la a seu favor. No final, somando-se todo o tempo poupado com a automação doméstica, pode até ser que você ganhe algumas horas a mais no seu dia para utilizá-las da forma que preferir.


Desvendando as paradisíacas Ilhas Gregas

Com suas particularidades e variadas opções turísticas, a cada ano elas conquistam mais visitantes

Por Murilo Benites

Jogos olímpicos, filosofia, democracia, mitologia, matemática, teatro... Localizado na junção entre a Europa, a Ásia e a África, está um pequeno país, extremamente rico em história: a Grécia. Todo esse valor histórico já pode ser considerado um grande motivo para visitar a terra de Sócrates, Platão e Aristóteles, mas, com certeza, há ainda muito mais para se conhecer por lá.

Tido como um país de opções turísticas para absolutamente todos os gostos, a Grécia é um dos pontos mais visitados da Europa e do mundo. O roteiro mais comum inclui a bela capital Atenas, onde é possível visitar a Acrópole (antigo centro religioso), o Templo de Zeus (deus mitológico) e o Estádio Olímpico, além de diversos museus. Outro grande atrativo é a vida noturna agitada da cidade.

No entanto, a Grécia não se resume a Atenas. As mais de três mil ilhas (cem das quais habitadas) que compõem o país também representam um ótimo atrativo turístico. Nos últimos anos, inclusive, essas ilhas vêm sendo cada vez mais procuradas, principalmente pelos europeus, que preferem trocar os pontos mais populares pela tranquilidade das pequenas ilhas, que raramente estão repletas de turistas.

No Brasil, o mais variado público também tem se interessado em visitar as ilhas. Casais em lua-de-mel, jovens viajantes, aposentados e famílias confirmam a fama grega de agradar diferentes perfis. As principais atrações se concentram nas ilhas de Santorini (considerada a mais bela), Mykonos (o refúgio de diversas celebridades), Creta (a maior das ilhas) e Rodes (com centros históricos importantes e muito bem conservados).

Santorini

Localizada cerca de apenas 200km a sudeste de Atenas, faz parte do grupo de ilhas de Cíclades, no Mar Egeu. O aspecto paradisíaco do local é resultado de uma erupção vulcânica, ocorrida há milhares de anos. A ilha possui bons hotéis, bares, restaurantes e clubes. É também repleta de museus, igrejas, shoppings e centros arqueológicos, além, é claro, de belas praias.

O principal ponto turístico de Santorini é a cidade de Thera, onde casais costumam se casar ou passar a lua-de-mel. É de lá que se tem uma das mais belas vistas para o mar Egeu. No entanto, a cidade considerada mais bonita é Oía, localizada ao extremo norte da ilha, onde se pode observar um belo pôr-do-sol, em que as casas, todas coloridas, são tomadas por uma luminosidade alaranjada.

As principais praias da ilha são Perissa, Kamari, Perivolos, Vlihada e Red beach. A última, na extremidade sul, é a mais visitada. Ao invés de possuir as comuns areias finas e brancas, a praia é vermelha, devido à erupção vulcânica. Entretanto, o real charme de Santorini não está em suas praias, mas nas pequenas vilas no alto das montanhas, com becos e vielas repletos de cafés e com vista para o mar.

Mykonos

“Ilha branca” em grego, Mykonos possui cerca de 360 igrejas e durante boa parte do ano é uma pacata e pequena vila de pescadores. Mas, na temporada de férias, quem vai para lá normalmente não vai em busca de paz ou para conhecer as igrejas. Isso porque Mykonos é conhecida como uma das ilhas mais liberais, ecléticas e animadas, não só da Grécia, mas do mundo. Repleta de praias de nudismo e festas, Mykonos tem uma personalidade característica, e acolhe bem todo tipo de turista, sem distinções. É para lá que vão muitas das celebridades do mundo artístico.

A capital, Chora, onde fica o porto, possui centenas de casas brancas, muito próximas do mar transparente, repleto de pequenos barcos. A cidade também possui charmosas e pequenas ruas, que merecem ser percorridas a pé. Cada ruela estreita se assemelha a um labirinto e leva a uma praça, loja, restaurante ou bar diferente. Um dos pontos principais é o bairro Venetia, onde há centenas de casas com balcões debruçados sobre o mar.

As melhores praias ficam ao sudoeste da ilha, onde está Paradise Beach, a mais badalada de Mykonos. Perto dali ficam Super Paradise, Paraga e Platys Gialos, praias mais tranquilas, onde se pode aproveitar o sol e as belas vistas que a ilha tem para oferecer.

Creta

Segunda maior ilha do mar mediterrâneo oriental, Creta é conhecida como a terra onde vivia o lendário Minotauro (criatura com uma cabeça de touro sobre o corpo de um homem). A ilha possui um dos melhores climas da Europa e as mais diferentes atrações.

Além das belas paisagens e praias movimentadas, Creta tem uma agitada vida urbana, com grande variedade de opções culturais e gastronômicas. A ilha também possui algumas praias tranquilas e vilas nas montanhas.

Não se deve deixar de visitar o grandioso Palácio de Knossos, o mais importante de Creta, construído em 2000 a.C. e destruído por um terremoto 300 anos depois. Ele passou por várias reconstruções e hoje é possível visitar as suas mais de 1500 salas, divididas em 17000m². Foi nesse palácio que teve origem a lenda do labirinto do Minotauro.

Outros pontos turísticos importantes são o Museu Arqueológico de Heraklion, o Desfiladeiro de Samaria (o mais longo da Europa) e o Mosteiro de Akardi.

Rodes

Próxima da Turquia, a ilha foi ponto de encontro nas Cruzadas da Idade Média. Por isso, hoje, Rodes é considerada um dos principais centros históricos da Grécia, também por estar extremamente bem conservada e repleta de praças, casas, muralhas, sinagogas e mesquitas, em ruas de pedra e construídas há milhares de anos.

Importante centro econômico da Grécia Antiga, a capital da ilha, também chamada Rodes, é conhecida por ter abrigado o Colosso, uma das sete maravilhas do mundo antigo. Localizado no porto da ilha e construído há quase 300 anos a.C., o monumento consistia em uma gigantesca estátua de Hélios (deus grego do sol). A escultura possuía 70 toneladas, 30 metros de altura e era feita de bronze. Mas o colosso ficou em pé por apenas 55 anos, quando um terremoto devastador atingiu Rodes e o afundou. Hoje, no lugar do monumento estão as estátuas de uma corça e de um cervo.

Também na ilha, a pequena cidade de Lindos possui outro monumento considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo: o Templo de Diana (ou Templo de Ártemis). Reconhecido, por muito tempo, como o maior feito da civilização grega e como o maior templo da antiguidade, foi construído em homenagem a Diana, a deusa dos bosques. Hoje, o monumento, levantado no cume de um rochedo, é aberto à visitação e merece ser visto de perto.

Em Lindos também fica a baía de São Paulo, uma pequena praia de águas azul-esverdeadas, envolta por falésias, cuja saída para o mar é extremamente estreita, dando a ilusão, para quem vê de longe, de ser uma lagoa.

Visitando as ilhas gregas

É mais indicado tentar conhecer várias ilhas em uma mesma viagem, por meio de um cruzeiro ou pernoitando alguns dias em algumas delas. Os meses mais propícios são: maio, junho, início de julho, final de agosto, setembro e início de outubro. É preferível evitar o período entre vinte de julho e vinte de agosto, quando o país fica mais lotado de turistas. O final de outubro também não é indicado, pois é quando a temperatura já não é mais tão agradável.
No Brasil, o valor de um pacote para três ilhas custa em média mil euros (cerca de dois mil e trezentos reais), por um período de oito a doze dias. Uma visita a quatro ilhas, no mesmo período, custa por volta de mil e trezentos euros (cerca de dois mil novecentos e noventa reais).

Saiba mais

www.guiageo-grecia.com
www.guiagrecia.com.br
www.almadeviajante.com
www.cruzeirosmaritimos.info/cruzeiros-ilhas-gregas
www.mundocruzeiros.com.br


Ultrapassando os limites de um autódromo

Competição automobilística disputada nas mais diferentes paisagens do mundo, o Rali vem conquistando cada vez mais apaixonados por velocidade, também no Brasil

Por Murilo Benites

Paixão por automobilismo. É difícil explicar o motivo de um sentimento tão profundo pela velocidade, mesmo porque, muitas vezes, essa emoção é simplesmente indescritível. Elementos característicos, como o ronco dos motores, produzem em algumas pessoas sentimentos que vão além da compreensão, sejam elas as protagonistas da ação ou meras espectadoras do espetáculo.

Na Fórmula 1, atualmente a mais popular competição automobilística do planeta, carros especialmente produzidos para a categoria atingem altíssimas velocidades, em circuitos do mundo todo. Mas, para alguns amantes da velocidade, isso não é o bastante. A emoção necessita exceder os limites de um autódromo. E é essa a principal característica do rali (ou rally), uma modalidade competitiva, disputada no formato “ponto-a-ponto” (de um ponto específico de partida ao ponto de chegada), passando por estágios determinados, localizados em vias externas, como estradas, florestas, desertos e trilhas.

Além da velocidade, o que mais atrai nos ralis é o fato de poderem ser disputados em diferentes localidades, numa mesma competição, dando um caráter completamente imprevisível aos estágios, tanto no que diz respeito ao clima (calor e frio intensos, chuva, nevasca, névoa), como ao terreno (terra, neve, asfalto, lama, areia). Isso sem contar os diversos outros percalços que podem ser encontrados quando se compete fora de um autódromo.

Um atrativo adicional são os veículos, que, apesar de serem modificados para obter melhor rendimento, são semelhantes aos modelos e marcas que se encontram no mercado. Nos ralis, competem diferentes categorias de motos, quadriciclos, carros e caminhões, divididos em subcategorias específicas.

Dependendo da competição, o campeão de um Rali pode ser aquele que percorre todo o trecho em menos tempo (Rali de velocidade) ou o que percorre o trecho dos estágios o mais próximo possível de um tempo pré-determinado (Rali de regularidade). O “Rally Dakar”, a competição mais difícil e conhecida do estilo no mundo, por exemplo, é de regularidade, dividido em 13 etapas de percurso. Outra famosa competição é o Campeonato Mundial de Rali (World Rally Championship - WRC), organizado pela Federação Internacional de Automobilismo (Federation Internationale de l'Automobile – FIA). A prova é disputada em diferentes tipos de terreno no planeta e nos mais diversos cenários, como montanhas íngremes, desertos escaldantes e planícies geladas.

O “Rally dos sertões”, realizado no Brasil, também é uma competição de prestígio.  A prova, que começou em 1991 de forma amadora, hoje, segundo o site oficial (http://www.sertoes.com/), é considerada “um evento completo, reunindo competição, turismo, economia, responsabilidade social e ambiental, além de ocupar a posição de 2º maior evento off Road do mundo.”

A competição deste ano, a ser realizada entre nove e dezenove de agosto, contará com dez etapas e irá de Goiânia, em Goiás, a Fortaleza, no Ceará, contando com quatorze subcategorias. Além da competitividade a organização do evento também aposta nos contrastes. “Atravessar grandes cidades e pequenos vilarejos, em contato com povos hospitaleiros e de uma simplicidade emocionante. (...) Competidores de todas as partes do mundo se deparam com uma realidade desconhecida e com paisagens jamais vistas”, diz a apresentação do evento no site.

O caráter socioambiental também é uma aposta para o sucesso do Rally dos sertões.  A organização se compromete a recolher o lixo gerado durante o evento, no percurso e nos acampamentos. Segundo o site, “a Equipe Sertões Ambiental espera tornar os profissionais do evento e as comunidades envolvidas cada vez mais conscientes de sua responsabilidade ecológica.”

Ainda de acordo com a página oficial, também são promovidas ações sociais, consideradas “a maior iniciativa social privada ligada ao esporte no país, com milhares de atendimentos médicos, distribuição de toneladas de material educativo e realização de centenas de palestras e oficinas instrutivas.”


Somos apaixonados por música

Por Murilo Benites

Milhões de fãs loucamente apaixonadas por Paul McCartney, John Lennon, George Harrison e Ringo Starr. Foi preciso criar um termo específico para definir as manifestações entusiasmadas de afeto pelos Beatles na década de 1960: Beatlemania. Com ela, iniciou-se de uma nova era na música, em que a relação entre artistas e fãs passou a adquirir níveis de afeto. Quem era “beatlemaníaco” não apenas gostava dos Beatles e das suas músicas, ele era completamente apaixonado por cada um deles.

Os teatros onde o quarteto de Liverpool se apresentava estavam sempre lotados e eram cercados por centenas de pessoas, que depois saíam correndo atrás do carro do grupo, em busca de um autógrafo, um abraço, ou ao menos um aceno. Nos shows, os gritos vindos da platéia eram tão altos que por vezes não se conseguia nem ouvir as músicas. Para os Beatles, o resultado disso foi um estrondoso sucesso mundial, milhões de discos vendidos e o justo título de melhor banda de todos os tempos.

Desde o fenômeno da beatlemania, muitas outras bandas e artistas conquistaram a paixão incondicional de seus fãs. Bons exemplos internacionais são Nirvana, Iron Maiden, AC/DC, Metallica e U2. No Brasil, Raul Seixas e grupos como Legião Urbana e Los Hermanos possuem um vasto número de adoradores.

É inegável que a beatlemania foi um marco nesse lance de paixão na música. Ela trouxe essa discussão a tona e a elevou a um nível nunca antes visto. Mesmo assim, sabe-se que, desde os primórdios, a relação do ser humano com o som é estreita. Começou com a batida nos tambores primitivos e gradativamente se tornou parte da característica do homem. Não se sabe ao certo o porquê, mas grande parte das pessoas já nasce apaixonada pela música, seja qual for o estilo.

E quando o assunto é esse, os brasileiros podem ser vistos como referência no mundo. A pesquisa Music Metters, realizada no ano passado por uma empresa de análises de mercado, mostrou que o Brasil é o país mais apaixonado por música do planeta. Os australianos ficaram com a última colocação. Foram feitas entrevistas com oito mil adultos em treze países, e a maior parte se considerou apaixonada por música. Apenas 6% disseram não dar a mínima para ela...


Plugged

Necessidade, ambição, compulsão, ou paixão mesmo? Pode ser tudo isso! Confira como as pessoas têm lidado emocionalmente com as novidades tecnológicas

Por Murilo Benites

Televisão, notebook, câmera digital, celular... Há quem compre esses produtos uma vez e fique com eles por anos e anos, até que quebrem ou percam sua utilidade, sem se preocuparem se existem novas e melhores versões no mercado. No entanto, outra parcela cresce cada vez mais: a que busca sempre adquirir os últimos lançamentos tecnológicos. Novos produtos surgem quase diariamente, tornando extremamente complicada a tarefa de se manter atualizado. Mesmo assim, muitos procuram fazê-lo. O que difere esses consumidores são os diferentes motivos que os levam a adquirir os novos produtos.

Maria Eduarda Medeiros, 20 anos, não se considera uma apaixonada por tecnologia, mas admite que possui e utiliza diversos produtos de última geração. “Sou curiosa, gosto de estar por dentro das novidades. Me interesso e procuro ter acesso aos novos avanços tecnológicos” afirma. Para ela, “existem os apaixonados, que querem sempre estar por dentro de tudo, gostam de ler a respeito e possuem seus aparelhos ‘hightech’ na medida do possível. É disso que eles gostam, mas não fazem dessa ambição uma obsessão, como eu acho que é o caso dos compulsivos. Com eles, isso se torna um hábito constante e automático”, opina.

O analista de comunicação e publicitário Marco Antônio de Jesus Almeida é um caso. Desde criança, ele se interessava por novos vídeo games e jogos de computador. Hoje, com 22 anos, Almeida é um verdadeiro apaixonado e possui de TV HD a câmera fotográfica de última geração. Além disso, para ele, consumir e estar por dentro das novidades tecnológicas é também uma necessidade. “No meu emprego tenho que estar sempre bem atualizado para produzir estudos e análises mercadológicas que falam exatamente sobre novas tecnologias”, explica.

Enquanto isso, as grandes empresas do ramo, como a Apple, fazem seu papel, constantemente lançando novas versões de seus produtos, mas que, muitas vezes, apresentam apenas um design diferente ou poucas funções adicionais. Para Maria Eduarda, tudo não passa de estratégia de mercado. “As empresas deixam de lançar uma tecnologia mais avançada, que eles já possuem e controlam, para lucrar mais com as versões já ultrapassadas”, afirma. Almeida faz coro: “elas aproveitam para soltar as inovações tecnológicas no mercado de maneira gradativa, como estratégia mercadológica, para fidelizar o consumidor.”
  

Emoções em forma de imagens

Uma das principais dificuldades encontradas por quem se comunica com outras pessoas via internet é a inviabilidade de enfatizar e dar sentido a certas frases e palavras por meio de artifícios comuns em diálogos, como o tom de voz e expressões faciais.

Como fazer, por exemplo, para que a frase “você é um palhaço!” não soe para o outro de uma forma indesejável? Talvez dizer “você é um palhaço! :)” facilite a compreensão e evite mal-entendidos. Estes são os chamados emoticons, (combinação das palavras emotion e icon) que, por meio de uma sequência de caracteres ou de uma imagem, são capazes de traduzir alguns dos sentimentos de quem os utiliza.

Foi em março de 1953, nas páginas do jornal americano New York Herald Tribune que foram estampados os primeiros emoticons de que se tem registro. Era uma propaganda do filme Lili, um musical estrelado pela atriz Leslie Caron, onde se viam o desenho de uma carinha feliz, uma chorando e outra em forma de coração. Desde então, os emoticons se aprimoraram e, com o advento da internet, se multiplicaram e tomaram conta das conversações cibernéticas escritas.

De simples smileys a imagens elaboradas, novos emoticons são criados diariamente. É claro que eles não significam a salvação definitiva para quem encontra problemas em se fazer entender claramente via internet, muito menos uma ferramenta capaz de fazer os diálogos virtuais de texto substituírem uma conversa de voz. No entanto, é inegável que eles vieram para ficar e que são cada vez mais utilizados e facilmente compreendidos pelas pessoas.


Coluna de música - Revista Zaz #64

Revista Zaz lista quatro discos lançados no ano passado que valem a pena serem ouvidos nos próximos 365 dias! 

Por Murilo Benites

Disco: The Lady Killer
Artista: Cee-Lo Green


Thomas DeCarlo Callaway, conhecido como Cee-Lo Green, é a voz por trás do hit mundial Crazy, música do projeto Gnarls Barkley, uma parceria de Cee-Lo com o músico, produtor e DJ Danger Mouse. Em The Lady Killer, seu terceiro disco solo, lançado no ano passado, o músico voltou a emplacar um sucesso, dessa vez uma canção com o título não muito simpático de Fuck you (e que depois ganhou uma versão mais comportada, para as rádios, Forget you). Mesmo com o palavrão, a música é extremamente agradável, dançante e divertida, com a essência da soul music, do R&B e dos clássicos dos anos 1960, carimbada com a voz peculiar e aguda de Cee-Lo Green.
Além do sucesso Fuck You, The Lady Killer conta com outras belas canções, por vezes com uma cara mais moderna e por outras baseadas em ritmos mais antigos de sucesso, sendo estes os melhores momentos do disco.

Ouça: Fuck you, Satisfied, No one´s gonna love you.

Disco: Broken Bells
Artista: Broken Bells


Depois do sucesso mundial com o Gnarls Barkley, ao lado de Cee-Lo Green, Danger Mouse voltou a fazer uma parceria bem-sucedida, desta vez com James Mercer, vocalista e guitarrista da banda The Shins. Com uma proposta muito diferente da apresentada com o Gnarls Barkley, neste projeto, chamado Broken Bells, o músico, produtor e DJ flertou com o indie-pop.
A combinação das belas letras e melodias de Mercer com o experimentalismo do multi-instrumentista Brian Burton (nome verdadeiro de Danger Mouse) resultou em uma química tão boa que, quando os dois se juntaram para compor, em meia hora já tinham uma canção pronta e, ao final de uma semana, metade das composições para o trabalho já estava feita. O resultado foi o disco homônimo Broken Bells, lançado em março do ano passado.

Ouça: The high road, The ghost inside, Trap doors.

Disco: The Suburbs
Artista: Arcade Fire


Praticamente uma unanimidade entre a crítica especializada e, por muitos, considerado o melhor disco de rock do ano passado, o terceiro trabalho do Arcade Fire, intitulado The Suburbs, manteve a qualidade apresentada pelo septeto do Canadá em seus dois discos anteriores (Funeral e Neon Bible) e, mais do que isso, cresceu em alguns aspectos, como melodia e profundidade.
Conceitual, o álbum é inspirado na infância de Win Butler, líder do Arcade Fire, ao lado de seu irmão (e também integrante da banda) William, vivida nos subúrbios. No conjunto da obra, o disco conta uma história nostálgica, sendo que cada música conta uma parte dessa história.
Repleto de instrumentos não muito utilizados em bandas de rock, como acordeão, violino, violoncelo e xilofone, The Suburbs vale a pena ser escutado muitas vezes, seja para entender melhor a história que ele conta, ou para apreciar diferentes aspectos musicais presentes no álbum, que podem ser ouvidos e percebidos a cada nova audição.

Ouça: The suburbs, Month of may, We used to wait.

Disco: Brothers
Artista: The Black Keys


No Brasil, é natural que quando se fale em duplas musicais, o sertanejo seja o primeiro estilo que venha à cabeça. Muito distante desse ritmo, a dupla The Black Keys, formada pela guitarra de Dan Auerbach e pela bateria de Patrick Carney, aposta em uma ótima mistura de garage, blues e indie-rock.
Com Brothers, oitavo trabalho da carreira, o duo americano apareceu definitivamente e em grande estilo para o cenário internacional, mostrando, dessa vez, certa inovação, quando comparado com os discos anteriores, que eram mais crus.
Isso porque, apesar de ser composta apenas por guitarra e bateria, no álbum, a dupla decidiu experimentar, de forma muito bem-sucedida, outros instrumentos, como baixo e teclado, dando ao trabalho uma cara inovadora e agradável. O espírito do Black Keys foi mantido, mas a renovação o levou a um outro patamar de qualidade musical.

Ouça: Everlasting light, Next girl, Tighten up.


3º Acorde Universitário premia talentos da música

Cerca de 1.180 pessoas compareceram nos três dias do Festival Universitário de Música Popular Brasileira de Maringá, promovido pela UEM

Por Murilo Benites

A aconchegante Oficina de Teatro da UEM ficou pequena. Todas as 170 cadeiras internas foram rapidamente ocupadas e o restante do público, que não parava de chegar, foi se acomodando nos outros lugares disponíveis: as escadas dos corredores entre as fileiras, as portas laterais ou as cadeiras colocadas estrategicamente do lado de fora do teatro, onde havia um telão.

E foi assim, com a casa cheia, que aconteceu a terceira edição do Acorde Universitário - Festival Universitário de Música Popular Brasileira de Maringá. O evento, promovido pela UEM, por meio da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura e Diretoria de Cultura, foi gratuito e realizado entre os dias 6 e 8 de agosto. Estima-se que 1.180 pessoas compareceram nos três dias de Festival.

Ao todo foram cinquenta músicas inscritas, com trinta selecionadas para as semifinais, que ocorreram nos dias 6 e 7. As quinze melhores canções desses dois dias, escolhidas por um grupo de dezesseis jurados, escolhidos pela Comissão Organizadora, se classificaram para a grande final, no dia 8. Esta edição do festival distribuiu R$ 7,5 mil em dinheiro entre as categorias, que foram, além dos três primeiros lugares, melhor letra, melhor arranjo, aclamação popular, melhor intérprete e música cidadã.

Um dos principais atrativos do Acorde é que todos os compositores e intérpretes participantes do festival devem atuar em alguma das Instituições de Ensino Superior com sede em Maringá. O objetivo é promover a diversificação e o acesso à cultura para toda a comunidade universitária de Maringá e valorizar a música brasileira nas suas diversas vertentes, por meio do talento desses funcionários e alunos.

Tal talento foi muito bem demonstrado por Vanessa Croge, 25, vencedora dessa edição do Acorde, com a música Labirinto. Vanessa, que é aluna do curso de Ciências Sociais da UEM e faz parte do coral da universidade, não tem nenhum cd gravado, mas diz que ainda pretende trabalhar com música de algum modo. “O prêmio será usado para gravar outras músicas, para trabalhar outras idéias... Enfim, o dinheiro ganho no festival volta para a área musical”, afirma.

Em três anos de festival, Vanessa já é bicampeã do Acorde. O fato interessante é que praticamente todos os jurados mudaram de uma edição para a outra, comprovando uma grande aceitação das suas canções. “Isso dá um incentivo pra gente continuar tentando trabalhar nessa área apesar de todas as dificuldades que encontramos aí pelo caminho”, conta.

O evento também foi marcado pela diversidade de ritmos, que iam de forró, MPB e samba a maracatu e sertanejo de raiz. Outro atrativo que deu charme ao festival foram os instrumentos diferentes utilizados na execução das canções, como o Ukulele, o Cajón e a Zabumba.

Um pioneiro da comunicação maringaense

Vindo de Recife e há 37 anos em Maringá, Edmundo Queiroz de Albuquerque enfrentou com êxito o desafio de, entre outros feitos, ser o primeiro a encabeçar a divisão de relações públicas, imprensa e cerimonial da UEM

Por Murilo Benites

O pernambucano Edmundo Queiroz de Albuquerque se diz recifense de nascimento, mas maringaense de coração. E não é para menos. Em setembro de 1973, Albuquerque mudou-se para a cidade, mal sabendo que sua vida tomaria rumos que viriam a consolidar seu nome como uma peça fundamental na história da comunicação maringaense.

Tudo começou meses antes, em um encontro de reitores das universidades brasileiras, em São Luis do Maranhão, no qual José Carlos Cal Garcia, então reitor da UEM, esteve presente. Albuquerque lembra que entregou seu currículo a Cal Garcia, pois, apesar de certa experiência em comunicação (inclusive na assessoria de comunicação da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE), estava em busca de emprego na área, já que, naquele momento, trabalhava como bancário.

Por obra do acaso, o banco transferiu Albuquerque logo para Maringá, onde Cal Garcia, o primeiro reitor da UEM, planejava instaurar uma divisão de comunicação. “Só sei que o reitor da UFPE, Marcio Nilo de Barros Lins, se encontrou com o Cal Garcia e me indicou. Ele solicitou ao banco que eu fosse cedido por um período determinado e acabei sendo contratado para voltar a trabalhar com comunicação. Fiquei muito feliz, pois a minha paixão e formação nunca foi de banco, mas sim de comunicação”, conta Albuquerque.

O reitor resolveu unir as forças de Edmundo às de Clarinha Brilman, até então chefe de gabinete da reitoria. “Quando eu cheguei, aí, de fato, por decreto, foi criada a divisão de relações públicas, imprensa e cerimonial”, lembra Albuquerque. Ele exalta a importância do papel de Clarinha, que era entrosada com a sociedade maringaense e passou a encabeçar também as relações da divisão com colunas sociais, coligações com jornais e reitoria.

Na recém-criada divisão, logo passou a ser produzido um release com os acontecimentos da universidade, que saía impresso todos os dias para os veículos de imprensa, divulgando as novidades para a comunidade externa. Albuquerque também lembra que, em agosto de 1974, foi inaugurada a revista Unimar, que posteriormente passou a se chamar Acta Scientiarum (e que existe até hoje). “A Unimar passou a ser a literatura magna na UEM, pois foi com ela que passou a se firmar internacionalmente o trabalho dos nossos professores”, explica.

Além disso, Albuquerque também foi idealizador do Núcleo de Recursos Audiovisuais (Nurav). “Nós tínhamos um acervo grande de material fotográfico e cinematográfico e os professores vinham buscar imagens no nosso acervo para ministrar as aulas. O Nurav (atual NAV) foi muito importante e eu acompanhei o desenvolvimento dele”, relata.

Alegrias e dificuldades

Albuquerque trabalhou na divisão por oito anos, acompanhando toda a gestão de Cal Garcia e de seu sucessor, Rodolfo Purpur. “Então eu me retirei do campus, pois o tempo em que eu havia sido cedido pelo banco expirou e eu tive que voltar. Aí, não tive mais contato com o setor de comunicação da UEM”, completa.

No entanto, Albuquerque lembra daquele tempo com muita alegria e emoção: “Nós tínhamos um time muito bom. A universidade era gostosa de trabalhar. Nós tínhamos um clima ótimo, era um ambiente de muita liberdade e muita criatividade”. Por outro lado, ele salienta que aquela também foi uma época de muitas dificuldades. “O Rodolfo Purpur pegou um período absurdo, em que a universidade enfrentou uma grande crise e quase fechou, por falta de recursos. Além disso, tudo era muito mais difícil naquele tempo. Nós pagamos um preço muito grande para que hoje em dia essas novas gerações tenham essa beleza de tecnologias que hoje estão aí”, comenta.

Em meio a tantas dificuldades, Albuquerque afirma que trabalhar na universidade em tempos de ditadura militar no Brasil não representou grande empecilho. Segundo ele, o serviço de inteligência do exército, conhecido como S2, mantinha uma sala na reitoria, mas a convivência era pacífica. “Esse pessoal não falava muito com a gente. A sala do S2 tinha uma luz vermelha na porta, que quando ficava acesa indicava que não era permitida a entrada. Normalmente era porque eles estavam tratando de algum assunto importante ou entrevistando alguém. Nas nossas publicações, em particular, nunca houve nenhuma influência”, explica.

Pioneirismo

Mas não foi apenas na UEM que Albuquerque foi precursor da comunicação maringaense. Após deixar a divisão de relações publicas, imprensa e cerimonial já estruturada, ele não trabalhou muito tempo como bancário. Foi logo contratado pela cooperativa agroindustrial Cocamar, onde ajudou a criar uma assessoria, nos moldes similares aos da existente na universidade. 

Em 1989, Albuquerque foi convidado pela prefeitura especialmente para criar uma assessoria de comunicação social. “Fiz todo o projeto dessa secretaria e o prefeito criou o decreto oficial, que está em vigor até hoje”, conta. Além disso, a primeira agência profissional de publicidade que surgiu na cidade foi por ele criada.

Seus feitos como comunicador, não só em Maringá, lhe renderam uma merecida homenagem. Há menos de um mês, Albuquerque recebeu uma homenagem em Pernambuco, tendo seus feitos relatados em um livro sobre meio século de TV pernambucana, onde também atuou.

Hoje, aposentado e com sensação de dever cumprido, Albuquerque diz fazer “ponte aérea” entre Maringá e sua outra cidade do coração, Recife.

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UEM como fonte de informação

Desde a sua criação, com o pioneiro Edmundo Queiroz de Albuquerque, a divisão de imprensa da UEM cresceu e se desenvolveu e, em 1990, se tornou a Assesoria de Comunicação (ASC).

Hoje, a ASC representa o elo que liga a UEM às comunidades interna e externa, tornando-se também um canal permanente entre a Instituição e a mídia. Atualmente, fazem parte da ASC, a Coordenadoria de Imprensa (CIM), a Coordenadoria de Promoção e Relações Públicas (CPR) e a Rádio Universitária FM (UEM-FM).

A pedido do Jornal da UEM, três profissionais foram convidados a falar sobre a relação da imprensa com a UEM e de que forma eles vêem a UEM como fonte de informação.

QUEM É

Manoel Messias Mendes

Jornalista há mais de 30 anos. Começou como office boy na redação da Folha do Norte, posteriormente se tornando foca e repórter esportivo. Fez reportagem policial e trabalhou por oito anos na Folha de Londrina. Foi correspondente de O Globo quando o Grêmio Maringá disputou o Campeonato Nacional e primeiro repórter de rua da TV Cultura de Maringá, além de ter sido comentarista da Rádio CBN no ano de 2002.

Há pelo menos 20 anos, Messias atua no jornalismo político, tendo cobrido várias eleições e, nos últimos anos, atua como assessor de imprensa de candidaturas.

O QUE DISSE

Cubro a UEM desde o seu nascimento, quando a reitoria era no 9o. andar do Edificio Atalaia e o reitor era Carlos Cal Garcia, que entrevistei algumas vezes como repórter da Folha de Londrina. Sempre tive uma boa relação com a Universidade de Maringá, onde fiz dois cursos - Estudos Sociais (licenciatura curta) e História. Junto com acadêmicos como Reginaldo Dias, Jairo Carvalho e Claudemir Romancini, fundei o Centro Acadêmico de História Nadir Cancian, sendo o seu primeiro presidente.

Como jornalista, acho que a UEM sempre foi uma das principais fontes de notícia da cidade. Mais do que isso: de noticias qualificadas. E essa convivência de repórteres que vinham buscar informações na reitoria ajudou inclusive a qualificar mais o jornalismo local, porque, afinal, as pautas nos conduziam a entrevistas com grandes personagens do mundo acadêmico nacional. Enfim, eram os jornalistas se relacionando com intelectuais e, claro, aprendendo muito com eles. Eu, por exemplo, me sinto gratificado por ter tido a oportunidade de entrevistar professores do nível de Florestan Fernandes, Edgar De Decca e Paulo Freire.

A UEM sempre manteve uma assessoria de imprensa afinada com os veículos de comunicação. Assessorias que facilitavam nossa busca por noticias da instituição e abriam caminhos para boas entrevistas como a que fiz com o professor Florestan Fernandes, numa de suas vindas a Maringá para uma aula inaugural.

Some-se a isso o fato de que a UEM é, mais do que uma referência do conhecimento na região, um orgulho para todos nos maringaenses, face principalmente o peso que ela tem como instituição , regional e nacionalmente.

QUEM É

Michael Vieira da Silva

Diretor de Conteúdo de O Diário do Norte do Paraná e do site odiario.com. Começou ainda adolescente a trabalhar no jornal, até assumir, aos 21 anos, a direção da Redação. É graduado em Administração e pós-graduado em Gestão de Empresas de Comunicação Social, pela Universidade de Navarra (Espanha).

O QUE DISSE

A relação do Grupo O Diário com a Universidade Estadual de Maringá sempre foi profissional, pautada na honestidade e na independência, que ambos tanto prezam. As plataformas de mídia de O Diário, como produtoras de conteúdo jornalístico; e a UEM, como produtora de conteúdos científicos, têm o mesmo objetivo: o de promover a democratização da informação, para melhorar a vida das pessoas.

Nesses últimos 36 anos — a UEM foi criada cinco anos antes do jornal —, podemos afirmar que as páginas de O Diário contaram a história da universidade, do seu desenvolvimento, das suas conquistas e das suas descobertas, assim como também deu ressonância às criticas construtivas e apontou problemas, sempre com respeito e responsabilidade.

Por outro, as informações geradas na UEM e pela UEM e seus profissionais também sempre encontraram as páginas do jornal abertas para publicação. São raras as semanas em que não encontramos o nome da universidade ou de professores da instituição no jornal. E não vai aí nenhum favor nosso, mas sim uma importância merecida e necessária.

QUEM É

Elci Nakamura

Formada em Comunicação Social na UEL. Foi repórter, produtora, editora e chefe de redação da TV Cultura de Maringá. Atualmente é Coordenadora de Jornalismo da CBN Maringá.

O QUE DISSE

A UEM é uma grande fonte de informação para os veículos de comunicação por ser referência tanto na área de ensino como de pesquisa. Há várias pesquisas e eventos que rendem boas pautas e inúmeros profissionais (professores e pesquisadores) que são ótimas fontes para a produção de reportagens e entrevistas. Para a CBN, que é uma rádio que só toca notícia, é fundamental existir uma instituição como a UEM para informar ao ouvinte sobre o que a cidade produz na área do conhecimento e de pesquisa.

Trabalhando pela quebra de um tabu

Há 26 anos, Eliane Maio estuda e ministra palestras em busca de discussões mais efetivas acerca da educação sexual na escola

Por Murilo Benites

Em 1984, Eliane Rose Maio Braga, então estagiária do quinto ano do curso de Psicologia da UEM em um colégio particular de Maringá, foi abordada por uma professora da segunda série do ensino fundamental, que lhe pedia ajuda para resolver um problema com um menino de oito anos que “não tirava a mão daquele  lugar.” Na ocasião, Eliane ficou sem saber como ajudar e nem mesmo o que responder, pois não tinha idéia de como lidar com a educação sexual. “Naquele dia, eu prometi a mim mesma que eu nunca mais iria parar de estudar isso”, conta.

Hoje, 26 anos depois, Eliane é professora do Departamento de Teoria e Prática da Educação da UEM e se transformou em um dos nomes mais importantes da educação sexual escolar do Paraná e do Brasil, sendo chamada para ministrar palestras sobre o assunto por todo o País. A professora agora cursa um pós-doutorado sobre a trajetória da educação sexual no Brasil, cumprindo à risca a promessa de nunca parar de lidar com o assunto.

No fim do ano passado, Eliane foi contemplada com uma bolsa de estudos na Espanha, por meio da Fundação Carolina (www.funcacioncarolina.es), uma instituição que promove as relações culturais e a cooperação educativa e científica entre a Espanha e os países iberoamericanos, bem como outros países que tenham especiais vínculos históricos, culturais ou geográficos com aquele país. Assim, entre novembro de 2009 e fevereiro de 2010, a professora desenvolveu, na Universidade de Alcalá, em Guadalajara, o seu projeto de pesquisa, intitulado Estudo sobre educação sexual e de gênero nos documentos oficiais, programas e nas aulas na realidade espanhola e desenho de um programa de formação para professores/as do Brasil.

Segundo Eliane, os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) do Brasil, elaborados em 2007 pelo Governo Federal, foram baseados nos parâmetros espanhóis, para servirem como referência de qualidade aos ensinos Fundamental e Médio do país, e preveem que a sexualidade seja um conteúdo trabalhado na escola. No entanto, em seu estudo, a professora comprovou que isso ainda não ocorre. “Aplicando questionários em alunos, fazendo pesquisas em documentos oficiais e conversando com profissionais que estudam a mesma temática, evidenciei que, apesar de os parâmetros terem sidos estabelecidos, a educação sexual ainda não é aplicada devidamente no ambiente escolar, tanto na Espanha como no Brasil”, afirma Eliane.

Experiência

A idéia, agora, é se utilizar dessas informações e experiências adquiridas na Espanha para aprofundar os estudos sobre como a educação sexual pode ser efetivamente abordada e discutida no ambiente escolar, o que não é uma tarefa fácil, já que, segundo a professora, esse não é um problema recente. “Não gosto de parecer pessimista, mas, em todos esses anos estudando o assunto, percebo que pouca coisa mudou. Hoje em dia, embora se estude e se produza muito material sobre o tema, são muito raros os casos em que se discute a educação sexual abertamente, nas escolas. Ainda há muitas barreiras”, explica Eliane.

Segundo a professora, o papel dela, como profissional da educação, é dialogar com professores, justamente para mudar essa realidade, auxiliando na maneira de inserir a sexualidade no contexto escolar e, ao mesmo tempo, estimulando o assunto para o aluno, desde as primeiras séries até a universidade, para que essa se torne uma temática natural e aberta a debates. “Não precisa necessariamente dar aula de educação sexual. A idéia é mudar o cotidiano, o contexto escolar, inserir a discussão no programa das disciplinas. Por que não analisar, por exemplo, o contexto da homossexualidade nas aulas de história?”, indaga.

Eliane afirma que ministra suas palestras sempre que há oportunidade, exatamente para divulgar a importância do ensino da sexualidade ao maior número de pessoas possível. “Dou palestra mais para professores, mas o importante é que eles estejam aliados com os pais, pois são eles que educam efetivamente”, aponta. Para ela, a maior dificuldade é provar para os pais e professores que a sexualidade se insere em qualquer contexto escolar “seja com palavrões nas carteiras dos alunos ou nos assuntos abordados em sala de aula”, conclui.

Projetos futuros

Para o próximo ano, a professora pretende promover a segunda edição do Simpósio Internacional de Educação Sexual (Sies), na UEM. De acordo com Eliane Maio, o primeiro Simpósio teve grande repercussão, debatendo assuntos como educação básica e diversidade sexual, vitimização sexual e sexualidade e educação sexual no Brasil. Além disso, será lançado o livro do Sies do ano passado.

Uma outra publicação também será produzida em breve, pela Editora da UEM (Eduem), baseada na tese de doutorado de Eliane, intitulada “Palavras, palavrões: um estudo sobre a repressão sexual com base na linguagem empregada para designar a genitália e práticas sexuais, na cultura brasileira.”
A professora também revela que acaba de conseguir uma verba da Fundação Araucária para que seja instaurado um Laboratório de Educação Sexual na UEM. “Pretendo fazer oficinas com os professores das redes estadual, municipal e particular, para discutir e aprofundar os estudos acerca da importância do ensino da sexualidade no âmbito escolar”, conta.

A professora também revela um sonho: criar um Observatório que focalize a violência de gênero, para denunciar, discutir e analisar quaisquer tipos de abusos sexuais.